segunda-feira, 15 de outubro de 2012

Candidatos a segundo turno disputam gestão de quase R$ 100 bilhões em recursos públicos


Publicação: 13/10/2012 13:21 Atualização:

Principais atores do segundo turno, PT, PSDB, PSB e PMDB travam uma disputa pela gestão de R$ 99,2 bilhões em recursos públicos. De olho em 2014, os quatro partidos priorizam, entre as 50 cidades em que os eleitores voltam às urnas em duas semanas, as 28 prefeituras com orçamento superior a R$ 1 bilhão, cujos investimentos são vitrine eleitoral para os próximos pleitos. Com o caixa turbinado pela Copa do Mundo de 2014, seis delas, que vão sediar o evento no mesmo ano das próximas eleições presidenciais, são prioridade máxima. Aos futuros prefeitos caberá o título de padrinhos dessas realizações.

Das 47 prefeituras com receita acima de R$ 1 bilhão este ano, 19, que somam R$ 65 bilhões em orçamento, já têm definido o próximo prefeito. Maior orçamento entre as cidades brasileiras, São Paulo está entre as 28 bilionárias disputadas no segundo turno. Com R$ 38,7 milhões para gastar em 2012, a capital paulista, não por acaso, é o principal alvo de PT e PSDB. Enquanto os petistas sonham retomar o principal palanque da oposição, os tucanos a veem como ponto estratégico para garantir repercussão nacional às críticas ao governo da presidente Dilma Rousseff.

“Não vemos uma correlação tão direta entre as eleições municipais e presidenciais. Mas é claro que estar no comando dessas cidades fortalece qualquer partido”, avalia o secretário-geral do PSDB, Rodrigo de Castro. O deputado federal mineiro cita que, por terem mídia forte, as cidades ricas se tornam vitrines de obras e programas de suas administrações. O PSDB está em 11 cidades bilionárias no segundo turno, entre elas Manaus e Belém. Há ainda uma importância estratégica para as legendas ao disputar as mais ricas: as volumosas estruturas de cargos servem para cooptar aliados e negociar futuras alianças, que passam também por 2014.

O ano das eleições presidenciais é também o da Copa e, assim, as seis cidades-sedes bilionárias ainda em disputa — Curitiba, Fortaleza, Cuiabá, São Paulo, Salvador e Natal – têm uma importância a mais. Só Fortaleza vai receber, até 2014, R$ 1,6 bilhão do governo federal para o evento esportivo, o que reforça sua arrecadação própria para investimentos e, consequentemente, o número de obras para divulgar ao fim do mandato. A capital do Ceará tem acirrada briga entre o PT, da prefeita Luizianne Lins, e o PSB dos irmãos Cid e Ciro Gomes.

O secretário nacional de organização do PT, Paulo Frateschi, diz que a vitória nas cidades com maiores orçamentos não é prioridade para o partido, mas “necessidade”. “Não só pelo poder econômico que concentram, mas pelas características dessas cidades. Uma marcante é que geralmente elas têm grandes universidades, que irradiam política. Têm também mídia pesada, com veículos competitivos, o que aumenta a repercussão das ações.” Além de São Paulo, o PT pode levar Contagem (MG), Juiz de Fora (MG), Santo André (SP), Campinas (SP), Guarulhos (SP), Niterói (RJ), Cuiabá, Salvador, Fortaleza e João Pessoa.

Promessas Para o cientista político da Universidade de São Paulo (USP) José Álvaro Moisés, “dinheiro e poder andam juntos”, porém não basta ganhar grandes orçamento: é preciso cumprir o que foi prometido na campanha para ter a vitrine. “Os partidos querem mais prefeituras e mais peso econômico, porque, com mais, têm o locus para realizar seus objetivos programáticos, quando eles existem; e, com as mais ricas, viabilizam os meios para realizar o que prometem — embora nem sempre façam exatamente isso.”

No primeiro turno, o PT, que hoje comanda o maior número de administrações bilionárias (11), se deu melhor, com a vitória em seis prefeituras e a garantia de R$ 12,5 bilhões para gerir. Em seguida, aparecem PSDB e PSB, com três cada um. Apesar de ter se saído vitorioso apenas em uma delas no primeiro turno, o PMDB foi o campeão em termos de recursos para administrar, já que reelegeu Eduardo Paes no Rio de Janeiro, segunda maior receita do país, com R$ 20,5 bilhões de receita. Os peemedebistas disputam ainda oito prefeituras bilionárias, entre elas Sorocaba e Natal.

Haddad acusa Serra de "mobilizar trevas"

Um dia depois da divulgação de pesquisa Ibope mostrando o candidato do PT, Fernando Haddad, com 11 pontos percentuais à frente do tucano José Serra (48% a 37%), os dois adversários partiram para o ataque mútuo no segundo turno em São Paulo. Ao participar de missa na Paróquia de Nossa Senhora Aparecida, em Itaquera, na Zona Leste, o candidato petista afirmou que Serra “tem um exército que promove o ódio” nas redes sociais. Haddad rebateu críticas contidas em um vídeo divulgado pelo pastor evangélico Silas Malafaia, da Assembleia de Deus, em que ele acusa o petista de andar “de braços dados” com réus condenados pelo Supremo Tribunal Federal (STF). “Ele (Serra) está fora de si. Ele está mobilizando e vai mobilizar as trevas, como fez em 2010. Tudo o que ele podia fazer para ofender a presidente Dilma ele fez. É uma pessoa que está completamente fora de tom”, disse o candidato petista. “Serra tem um exército nas redes sociais que promove o ódio”, completou. Durante visita a um museu, Serra negou ter influenciado Malafaia. “Eles estão inventando isso porque o Haddad não sabe como explicar o chamado kit gay”, disse o tucano, referindo-se à campanha a favor da diversidade sexual elaborada pela equipe de Haddad, na época em que era ministro da Educação, e que não chegou a ser divulgada.

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